24 julho 2009

Mensagem 083 - Estátua

Estátua

Luciano Menezes

E se um dia eu me acordasse estátua
ficaria olhando todos os passantes
perceberia o andar tropego dos cambaleantes
e imaginaria o que teria acontecido
o quanto teriam bebido, sido agredidos,
ou como se encontrariam com o chão.

E após um dia de imaginação,
suportaria o frio madrugada adentro
veria o amanhecer brilhante, enevoado ou lúgubre
e um raiar tardio de um novo dia
espantaria os pássaros que aqui viriam
pousar para olhar aqueles que lá iam
tentar compreender como virei estátua.

Como deixei que vida me tornasse inerte
como tivesse parado o pensamento ainda
que a vida tenha me mantido incólume
ou me tornado um marco dos que não são seguidos.

23 julho 2009

Mensagem 082 - Festejando o dia que o homem pisou na lua 23 de julho de 2009

Festejando o dia que o homem pisou na lua
23 de julho de 2009

Ainda hoje como no dia em que o homem pisou no solo lunar só me recordo da canção do Gilberto Gil que me chapou: LUNIK 9 – letra e música: Gilberto Gil – 1966 o primeiro vinil que comprei do Gil.

Eu me pergunto será que o homem pisou na lua ou está no mundo da lua.

Gil tocando violão e cantando a música que depois a gravação da Elis Regina viria a consagrar.

No dia que o homem pisou, (pisou?) na lua eu só me recordava que havia uma música do Gilberto Gil que clamava em 1966:

“Poetas, seresteiros namorados correi
é chegada a hora de escrever e cantar
talvez as derradeiras noites de Luar”


ah! me lembro também que na casa de um primo, agente olhava o jornal por volta das 08:00 h e apareceu a filmagem do homem andando na lua, e lembro de ter comentado que aquilo era um desenho animado ou um filme feito na terra no local do treinamento dos astronautas. Não que duvidasse da proeza, mas o filme era muito ruinzinho e ainda comentei: “claro que eles não vão mostrar ao vivo, imagina se estamos todos olhando e aparece qualquer coisa inusitada” seria uma loucura no mundo.

Bem no dia seguinte os jornais comentavam que o que o filme exibido no jornal na noite anterior havia sido um filme feito na terra em dia de treinamento e agora sim mostrariam a realidade que aconteceu por volta das 02:00 horas da manhã e aí sim todos vimos o astronauta dando seus pulinhos e ouvimos sua frase: “que era um pequeno salto mas um grande salto para a humanidade”.

Hoje no dia do festejo a mente volta a 30 de Janeiro de 1968, os festejos do Novo Ano Lunar no Vietnam e a grande Ofensiva Tet, o mundo começava a ver que o poderio estava com os invadidos.

Para quem não lembra no terceiro dia da Ofensiva do Tet em 1 de Fevereiro de 1968, a foto abaixo não deixará esquecer:



Guerra do Vietnam - Nguyen Ngoc Loam, é o coronel, nomeado chefe da Polícia Nacional da República do Vietname, que mais tarde perderia um perna arrancada por uma granada e um oficial vietcong capturado, o capitão Nguyen Van Lém, o mesmo nome próprio que o seu assassino - 30 de Janeiro de 1968

Guerra do Vietnam - Nguyen Ngoc Loam, é o coronel, nomeado chefe da Polícia Nacional da República do Vietname, que mais tarde perderia um perna arrancada por uma granada e um oficial vietcong capturado, o capitão Nguyen Van Lém, o mesmo nome próprio que o seu assassino - 30 de Janeiro de 1968

Nguyen Ngoc Loam, é o coronel, nomeado chefe da Polícia Nacional da República do Vietname, que mais tarde perderia um perna arrancada por uma granada e um oficial vietcong capturado, o capitão Nguyen Van Lém, o mesmo nome próprio que o seu assassino. Não foi só a foto, foi o filme passado na TV que nos mostrava a frieza de um compatriota do Vietnam do Sul, o assassino, sentindo o seu poder declarou calmamente aos repórteres: “Ele matou muitos de nós e dos vossos também. Penso que Buda me perdoará por isto”.
Insuflado pelo desenvolvimento da ciência viva contra o Vietnam do Norte o assassino Nguyen continou a serviço do exército sul-vietnamita, gozando de grande reputação e fortalecido como homem de grande coragem e sagacidade em batalha. A sua carreira de guerreiro terminou três meses mais tarde, quando uma granada inimiga lhe destrói a perna direita, na certa lembrou de Buda no momento em que foi atingido e os USA lhe deram casa e moradia até morrer em Julho de 1998 . Tudo aconteceu no governo Democrata americano Presidente Lindon Johnson.

O operador de câmara da NBC, Vo Suu, filma a sequência: o tiro, o fumo, a queda, o sangue jorrando da cabeça do oficial vietcong. Eddie Adams, o fotógrafo, recordará mais tarde que a sua única vontade é sair dali, afastar-se, mas, ao mesmo tempo, numa familiar combinação de horror pessoal e triunfo profissional, tem consciência da extraordinária foto que acabou de tirar. A foto acabou por ganhar um Prémio Pulitzer.

Nesse momento recordo o filme que Gabeira talvez tenha desejado sobre o McNamara na certa mostrará os dados: “McNamara deixou o Pentágono, 16.000 militares americanos tinham morrido no Vietnã. No fim da guerra, sete anos depois, o balanço total do conflito se estabeleceu a quase 58.000 vítimas do lado americano e três milhões do lado vietnamita, tanto no norte como no sul.”

“Momento histórico
Simples resultado
Do desenvolvimento da ciência viva
Afirmação do homem
Normal, gradativa
Sobre o universo natural
Sei lá que mais

Ah, sim!
Os místicos também
Profetizando em tudo o fim do mundo
E em tudo o início dos tempos do além
Em cada consciência
Em todos os confins
Da nova guerra ouvem-se os clarins”

Triste humanidade! Começava ali naquele momento a perder uma parte dos seus sonhos, a certeza de que São Jorge não mais brigava contra o Dragão na lua, a sua representação ficou reduzida a cavidades e sombras feitas pela luz refletida do sol e a história virou estória, nem mais dragão havia. E o progresso da humanidade que ainda viria aparecer nos anos futuros, nos grandes passo dado para traz pela humanidade, na disseminação do napalm como um fungicida humano.



Guerra do Vietnam - aplicação do fungicida humano NAPALM pelos americanos para acabar com o solo e vida no Vietnam

Guerra do Vietnam - aplicação do fungicida humano NAPALM pelos americanos para acabar com o solo e vida no Vietnam

A democracia americana mostrou ao mundo que não tem meio termo, em se tratando de defender a liberdade mata no Vietnam ou em casa, em um protesto contra a guerra do Vietnam um americano é atingido com um tiro na boca, essas fotos ajudaram a mostrar e a mudar o rumo da guerra onde Vietnamitas derrotaram os americanos e hoje convivem como um só país.
Guerra do Vietnam - em solo americano uma bala é disparada e atinge manifestante na boca, levando-o à morte, assasinado por lutar pela paz

Guerra do Vietnam - em solo americano uma bala é disparada e atinge manifestante na boca, levando-o à morte, assasinado por lutar pela paz



“Guerra diferente das tradicionais, guerra de astronautas nos espaços siderais
E tudo isso em meio às discussões, muitos palpites, mil opiniões
Um fato só já existe que ninguém pode negar, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1,já!
E lá se foi o homem conquistar os mundos lá se foi
Lá se foi buscando a esperança que aqui já se foi
Nos jornais, manchetes, sensação, reportagens, fotos, conclusão:
A lua foi alcançada afinal, muito bem, confesso que estou contente também”

dessa forma eu faço aqui o a minha recordação do primeiro homem a pisar na lua, não sem antes lembrar que foi a dois dias atrás 21/julho/2009 que pisou na sua terra natal o último asilado da ditadura brasileira.

Seja benvindo Antônio Geraldo da Costa (Tigre ou Neguinho) e a canção do Gilberto Gil encerra essa recordação.



Retorno do último asilado da ditadura brasleira em 21/julho/2009 dois dias antes de se comemorar o homem pisar na lua

Retorno do último asilado da ditadura brasleira em 21/julho/2009 dois dias antes de se comemorar o homem pisar na lua

“A mim me resta disso tudo uma tristeza só
Talvez não tenha mais luar pra clarear minha canção
O que será do verso sem luar?
O que será do mar, da flor, do violão?
Tenho pensado tanto, mas nem sei"



Enfim mais um brasileiro volta pra casa

Enfim mais um brasileiro volta pra casa

"Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar”

19 abril 2009

Mensagem 081 - Envolvimento

Envolvimento

Luciano Menezes

Me envolvi por toda vida
e não deu em nada
pois tudo que vivi
sempre chegou a um fim
nunca teve começo com uma marca fatal
e quando se esgarçou
não tivemos o cuidado
de guarda lembranças
fotos ou ruídos pra recordar

Não lembro de mais nada
e só quando eu lhe vejo
é que lembro que num tempo
até estivemos perto
você de um lado da cama
e eu deitado lá no outro
vez em quando se esbarrava
e era bom até acabar
sim sempre chegava a um fim
até que ao final terminou
você foi pra lá eu fui pra cá
cada um na sua fila
fazendo andar a vida
e deixando se levar.

28 janeiro 2009

Mensagem 080 - Eu tenho medo

Eu tenho medo

Luciano Menezes 28/jan/2009 18:11

Eu tenho medo
quando o dia está nublado
tenho um medo tão danado
quando vai anoitecer

Eu tenho medo
quando a brisa sopra forte
faço reza penso a sorte
em mim está a se encolher

Eu tenho medo
quando me perco na vida
pois já a tenho tão sofrida
e ela está a se escorrer

Eu tenho medo
de sentir um amor danado
pois não estou acostumado
a esperar e acontecer

Eu tenho medo
do arrepio envolvente
que quando chega na gente
e pra fazer desfalecer

Eu tenho medo
quando chega lentamente
a alegria no presente
é só pra gente se aquecer

Eu tenho medo
pois num passado recente
a alegria envolvente
foi embora sem dizer.

27 janeiro 2009

Mensagem 079 - Fim da Kuarup Discos

Bom dia

Como sempre gostei e gosto muito de música, de vez em quando, visito as páginas virtuais de gravadoras e para minha surpresa, mais uma gravadora brasileira se vai Kuarup Discos
.

abaixo a notícia no sítio (http://www.kuarup.com.br/br/) da gravadora.

"Depois de 31 anos dedicados à melhor música brasileira, a gravadora independente
carioca Kuarup Discos decidiu encerrar suas atividades nesta virada de ano.

Ao longo dos últimos anos, as vendas de produtos físicos sofreram queda vertiginosa,
nem de longe compensada pelas vendas por download.
Entendemos que a crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, inteiramente calcado na produção e comercialização de música de qualidade.

Agradecemos aos nossos amigos, funcionários, representantes, clientes e fornecedores, e sobretudo aos nossos artistas, que continuarão a carregar a bandeira desta música brasileira que ajudamos a divulgar durante todos estes anos.

Kuarup Produções Ltda/ Kuarup Discos "

A lamentar o fim de uma gravadora brasileira, que nunca impôs um padrão musical na mídia mas se preocupou em divulgar boas músicas brasileiras.

Com certeza veremos em breve alguém lançar um selo com a sua discografia ou algumas das pérolas que foram colocadas na roda, e aí durante algum tempo alguém lucrará mais com um trabalho bem desenvolvido e que acabou porque se esgotou enquanto modelo comercial.

Um dos modelos mais transgressores e abusivos do mercado mundial é o ligado a produção de música. Começa pela exploração dos artistas e termina quase sempre pela absorção do acervo por uma empresa multinacional não brasileira (não estou dizendo que é o caso da Kuarup) que a partir daí passa a impor um modelo de lucro rápido e sem levar, na maioria das vezes, em consideração o padrão de qualidade e manutenção de uma cultura brasileira, visa apenas o lucro, impõe modismos e destrói valores e artistas que em várias ocasiões depois serão reconhecidos.

Ainda bem que a internet, que muitos tentam controlar (vide projeto de um dos inventores do mensalão Eduardo Azeredo no Congresso Nacional), permite hoje a divulgação de projetos culturais livres e independentes da indústria fonográfica.

O que, na minha opinião, leva um gravadora como a Kuarup a não continuar é o jogo desleal e impositor dos grandes da indústria fonográfica de dpmínio com o uso de jabás e etc.

A internet hoje desenvolve o trabalho que, os artistas compositores partiram para realizar a partir dos anos 1960-1970 - percebendo que a sua critivadade não retornava para êles o ganho que lhes desse até mesmo o sustento de sobrevivência, passaramm a ser cantores.

A internet hoje ao divulgar o trabalho intelectual de compositores e artistas, permite que as suas apresentações sejam o carro chefe para o retorno financeiro do seu trabalho pois o ganho com a venda dos discos sempre foi da indústria fonográfica que hoje sofre o revés com o aumento de apresentações e diminuição da vendagem.

Vários artistas tem hoje sua própria produtora e alguns possuem e tentam manter selos para o lançamento do seu trabalho fonográfico, que se baseiam mais na divulgação realizada pelas apresentações ao vivo, e pasmem contam com a disseminação feita pelos discos piratas que por terem seus preços condizentes com o poder de compra da população são vendidos em grande quantidades.

Quem imaginaria que hoje estaríamos comprando CD´s por R$ 9,90 (nove reais e noventa centavos em, lojas de departamentos) a cerca de 10(dez) ou 20 anos atrás. A pirataria forçou a redução do preço. Porque as gravadoras não aceitam a numeração dos discos? E qual será o verdadeiro prejuízo de todos com o não pagamento de impostos que os piratas sonegam? Para avaliarmos essa interferência deveríamos saber quanto é feito de sonegação de quem deveria pagar impostos.

Talvez essa seja uma das razões que o mercado tenta controlar a internet.

Luciano Menezes

26 janeiro 2009

Mensagem 078 - Tia Doca da Portela

A Portela se despede da Tia Doca

O ano de 2009 começa com força total e aumenta a ala de compositores e cantores da Escola de Samba eterna.

A Portela eterniza a Tia Doca.




Veja também as notícias dos jornais:

Jornal Estado de São Paulo - domingo, 25 de janeiro de 2009, 19:18 | Online
Morre Tia Doca, integrante da Velha Guarda da Portela
CLARISSA THOMÉ - Agencia Estado

RIO - A integrante da Velha Guarda da Portela Jilçária Cruz Costa, de 76 anos, conhecida como Tia Doca, morreu na tarde de hoje no Hospital do Iaserj, no Centro do Rio. Ela havia sofrido um acidente vascular cerebral no dia 17 e desde então estava internada. Na última quarta-feira, havia recebido alta do CTI, e seu quadro de saúde era estável. Hoje à tarde, sofreu um enfarte.

Tia Doca era uma das pastoras da Portela - vozes femininas do samba, que puxam enredos, cantam em rodas e também fazem shows. Ela é criadora de um dos mais importantes pagodes, o Terreirão da Tia Doca, em Madureira, na zona norte, onde Zeca Pagodinho descobriu, aos 17 anos, sua vocação. O repertório da tradicional roda de samba virou CD em 2000. Dudu Nobre também frequentou o pagode desde os cinco anos.

Tia Doca foi tecelã, empregada doméstica e chegou a vender sopa para se sustentar. Gravou com Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Marisa Monte, que produziu o documentário "O Mistério do Samba", ano passado, com Tia Doca como uma das personagens.

Entrou para a Velha Guarda da Portela em 1970 - com o grupo, viveu tristezas, como em 2005, quando a escola de samba desfilou com alas inchadas, e a Velha Guarda ficou de fora do desfile para evitar que a apresentação tivesse o tempo estourado. Mas também alegrias, como as apresentações na Itália, França e Estados Unidos.

Tia Doca tinha três filhos. Seu corpo será velado a partir das 7 horas de amanhã na quadra da Portela, em Madureira. O enterro será às 16 horas no Cemitério de Irajá.



Jornal O Globo - OBITUÁRIO - Página 12

Tia Doca da Portela, aos 76 anos


Com uma vida dedicada ao samba, Jilçária Cruz Costa, conhecida como Tia Doca, foi destaque da Portela e presidente de ala por três anos, além de pastorada Velha Guarda da azul e branco.
Mas ela se tornou conhecida por conta das animadas rodas de samba, o Pagode da Tia Doca, que aconteciam há 34 anos, sempre no quintal de sua casa, atualmente em Madureira.
Tia Doca é compôs o partidoalto “Temporal”, gravado com Monarco, e o samba “Orgulho Negro”, em parceria com o filho Jadilson Costa e gravado por Jovelina Pérola Negra. No cinema, ela participou do documentário “O mistério do samba”, produzido pela cantora Marisa Monte no ano passado.
Vítima de infarto, Tia Doca da Portela morreu, na tarde de ontem, aos 76 anos, no Hospital do Iaserj, no Centro. Ela tinha sido internada no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no último dia 17, após sofrer um derrame, mas foi transferida para o Iaserj no dia seguinte. Na quarta-feira, no entanto, ela recebeu alta da CTI e seu quadro de saúde era estável.
O corpo de Tia Doca será velado hoje, a partir das 7h, na quadra da Portela, na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. O sepultamento será às 16h no Cemitério de Irajá.


RIO DE JANEIRO - [ 25/01 ]
Morre Tia Doca, integrante da Velha Guarda da Portela
Jornal Cruzeiro Sul On Line ( http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=42&id=155767 )

A integrante da Velha Guarda da Portela Jilçária Cruz Costa, de 76 anos, conhecida como Tia Doca, morreu na tarde deste domingo no Hospital do Iaserj, no Centro do Rio. Ela havia sofrido um acidente vascular cerebral no dia 17 e desde então estava internada. Na última quarta-feira, havia recebido alta do CTI, e seu quadro de saúde era estável. Hoje à tarde, sofreu um enfarte.
Tia Doca era uma das pastoras da Portela - vozes femininas do samba, que puxam enredos, cantam em rodas e também fazem shows. Ela é criadora de um dos mais importantes pagodes, o Terreirão da Tia Doca, em Madureira, na zona norte, onde Zeca Pagodinho descobriu, aos 17 anos, sua vocação. O repertório da tradicional roda de samba virou CD em 2000. Dudu Nobre também frequentou o pagode desde os cinco anos.
Tia Doca foi tecelã, empregada doméstica e chegou a vender sopa para se sustentar. Gravou com Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Marisa Monte, que produziu o documentário "O Mistério do Samba", ano passado, com Tia Doca como uma das personagens.
Entrou para a Velha Guarda da Portela em 1970 - com o grupo, viveu tristezas, como em 2005, quando a escola de samba desfilou com alas inchadas, e a Velha Guarda ficou de fora do desfile para evitar que a apresentação tivesse o tempo estourado. Mas também alegrias, como as apresentações na Itália, França e Estados Unidos. Tia Doca tinha três filhos.

25 janeiro 2009

Mensagem 077 - Edith do Prato

Uma das coisas que mais gosto é música, seja do tipo que for.
Algum tempo conheci o som de Edith do Prato que foi apresentada para os brasileiros no disco Araçá Azul do Caetano Veloso, que eu considero o melhor disco do Caetano Veloso:

"Vou me embora do sertão ou viola meu bem viola
que eu aqui não me dou bem ou viola meu bem viola
sou empregado da Leste sou maquinista do trem
vou me embora pro sertão que eu aqui não me dou bem
ou viola meu bem viola ou viola meu bem viola..."


espero que a memória não tenha me traído.

Esse som sempre ronda meu espírito, não sei se por lembrar do gosto do araçá ou se por ser azul.

O que tenho certeza é que a batida da faca no prato ecoa e me acompanha há muito tempo.

Dia 10 de janeiro de 2009 li no Jornal O Globo na seção de obituário:

Dona Edith do Prato, aos 94 anos
Luciano da Matta/A Tarde



"Toda a vida fui louca por samba, fugia para espiar o samba. Eu ficava raspando uma cuia de queijo, mas não acertava nada. Um dia, corn uma faca e um prato de doce, peguei o ritmo. Fiquei afamada por isso e, todo caruru, festa de aniversário, me chamavam para tocar, mas ninguém me ensinou". 0 começo da trajetória musical de Edith Oliveira Nogueira, contada por ela mesma no DVD "Dona Edith do Prato & Vozes da Purificação”, é tão singelo e autêntico quanto sua arte, admirada por nomes importantes da MPB.
Pela habilidade em extrair sons bem cadenciados do atrito da faca com o prato Edith surgiu no cenário da música brasileira pelas mãos do afilhado Caetano Veloso, ha três décadas, no album "Araça azul". Ali, ainda como Edith Oliveira, participou das faixas "Viola, meu bem" e "Sugar cane fields forever". Somente aos 86 anos teve a chance de gravar o primeiro disco, com sambas-de-coda, pontos de terreiro e temas de domínio público.
Nascida em Santo Amaro da Purificação, tinha vínculos estreitos corn a família Veloso. Ela engravidou na mesma época da amiga Canô por causa de uma forte gripe da matriarca dos Veloso, foi chamada para amamentar o então recém-nascido Caetano. Além disso, Nicinha, irmã legítima de Edith, foi criada como filha por Canô. Edith foi internada as pressas no dia 20 de dezembro, depois de sofrer um AVC. Ela morreu quinta-feira no Hospital Português, em Salvador, aos 94 anos.

Ainda bem que posso ouvir sua voz e rítmo no CD que deixou de lembrança.

Leia mais : Caetano Veloso e Folha On Line

23 janeiro 2009

Mensagem 076 - Olhando pra frente


(clique na imagem para ver tamanho real)

Olhando pra frente.

Luciano Menezes

E se eu olhasse pra trás
e visse um corpo com a cabeça baixa
E se eu olhasse pra trás
e avistasse alguém desesperado
E se eu olhasse pra trás
e enxergasse um rio de lágrimas
E se eu olhasse pra trás
não mais teria esperanças
coragem
correr riscos nunca mais

Como ficaria a vida
sem ter futuro
e o presente
afinal a vida segue em frente.

12 janeiro 2009

Mensagem 075 - Santa Lavradio

A Rua do Lavradio - Rio de Janeiro-Brasil na Lapa, em cada primeiro sábado do mês, deixa exposto vários personagens. Alguns vivos, outros inanimados.
A foto abaixo mostra um chorando.


clique na foto para ver no tamanho real

02 janeiro 2009

Mensagem 074 - Os sonhos

A única forma que existe para acabar com os sonhos é você dormir


02-jan-2009
Luciano Menezes

26 dezembro 2008

Mensagem 073 - Não me deixe mais

Não me deixe mais

Luciano Menezes

Não me deixe mais pois serei feliz
e você não quer nada mais
do que me amargurar
não me deixe mais pois eu poderei
me acostumar a ficar sem você
e aí então o seu psique não vai agüentar
e o meu fisic-du-rolle vai desaparecer
pois só você faz ele ao acabar reaparecer

não me deixe mais pois se eu gostar
não vou mais voltar e nem mais deixar
a porta se abrir e você entrar e vir reclamar
que eu não lhe vi, que não lhe falei,
que não lhe busquei, que não lhe quero mais
não me deixe mais pois posso descobrir
que sou mais feliz sem o seu estar

não me deixe mais pois será o fim
não mais haverá a repetição
a cena final fará o pano fechar
e a platéia toda irá se levantar
não vai aplaudir nem irá vaiar
todos compreenderão que tudo acabou
e nunca mais será reapresentada
não ficou famosa não serviu pra nada
apenas nós ouvimos e sentimos
tudo terminou foi nosso final
sem uma lamúria sem o som de glória
sem lamentação sem bater tambor
sem tocar clarim sem o sino tocar
sem música de fundo tudo se acabou

24 dezembro 2008

Mensagem 072 - Foi a noite

Foi a noite

Luciano Menezes

Ontem a noite eu bebi eu sei
Mas não me esqueci do que aconteceu
Foi tão tarde e ainda lembro bem
A bebida acabou o sonho se fez
e você como um pesadelo desapareceu

Acordei e não esqueci que lhe vi
Só não sei como foi que eu lhe perdi
E ficou tão gravada em mim
O seu vulto, uma sombra, um olhar vulgar
e um copo vazio no lugar e no bar

Ilusão que eu bebi talvez e nem mais
me encherá de esperança de tornar lhe ver
como no copo você também se evaporou
E agora eu não tenho nem mais o sabor
nem recordo mais do que aconteceu

15 dezembro 2008

Mensagem 071 - Solidão

Solidão

Luciano Menezes

A solidão me pega
quando eu fico fraco
a solidão me encontra
quando eu não acho
razão pra ser feliz
mesmo na multidão.

a solidão me ronda
a solidão me afunda
a solidão é quando
me perco no tempo
e o tempo não para
pra eu me rever
e o tempo só corre
pra eu me perder.

solidão.

11 dezembro 2008

Mensagem 070 - Os três pequeninos

Os três pequeninos

Luciano Menezes
para Maíra, Marat e Marcos Andre(Zé)

sonho com a solidão e me basto
mas quando três pequeninos aparecem
sinto que já não sou o mesmo

já não são tão pequenos
e me ensinam o que e' a vida
me devolvem a alegria perdida
e me perco em devaneios ermos

da mesma forma que vieram se vão
e eu fico ali parado vendo a sombra
da felicidade se ir sem deixar rastro

03 dezembro 2008

Mensagem 069 - O Tempo

O Tempo

Luciano Menezes 03/12/2008

Um dia estava cansado
e desliguei o relógio
santo dia
a partir daí
não mais perdi a hora
nem cheguei atrasado
e nunca
nunca mais
me faltou tempo.

O tempo é escravo da razão

A vida começa
quando acordamos
e apenas deixamos
que o tempo
siga o seu percurso
percorra o seu caminho
tranqüilo sem pressão
apenas passando
sem registro
sem delongas
sem deixar rastros

O tempo nunca acaba
e nem começa
Não muda o lugar
não enxerga o futuro
nem o passado.

26 novembro 2008

Mensagem 068 -Ser Amargo

Hoje dia 26/nov/2008, em uma entrevista o escritor Saramago declarou:

- Não sou pessimista o mundo é que é péssimo.

Em homenagem a Saramago segue a poesia abaixo:



Ser amargo

para José Saramago
Luciano Menezes 26/novembro/2008

Sara MAGO
Ser amargo
mas o mundo
não lhe deixa
em paz.

21 setembro 2008

Mensagem 067 - Expiação

Expiação

Luciano Menezes

Senti
dor no peito que coisa rara
me cortava que nem navalha
e não tem nem explicação

Pensei
que a saudade, essa, não tem idade
das lembranças que hoje guardo
eu não lembro mais nada não

Sorri
Tou chegando a uma nova idade
como se fosse mudar de cidade
tudo que vejo é alucinação

Chorei
mas chorei foi de felicidade
pois o pranto chorado com sagacidade
não é pranto é expiação

E assim
vou voltando pra uma nova vida
pois aquela, aquela minha antiga
não tem jeito e não quero mais não

22 junho 2008

Mensagem 066 - Pescaria

Pescaria

Luciano Menezes

A voz que eu escuto não é minha
vem do fundo do mar e não é sonho
é um sibilo cantado e tão tristonho
que me deixa enfadado no caminho

Eu procuro seguir o seu zumbido
como se fosse mavioso esse cantar
reproduzo esses sons que me encantam
se enroscando nessa águas de além mar

Não é canto de sereia vem no vento
que alisa as pedras que deflora o ar
e se esvaie em pequenos sangramentos
enrugando e o sal a lhe talhar

Enrugada a pedra ali vê a alvorada
e aquecida pelo sol chama os incautos
que buscando calmaria e alimento
ali jogam seus anzóis contra o vento
e arpoam peixes mansos pro manjar

Como dádiva presume ter um preço
a quimera é trocada sem piscar
num lampejo uma onda envolve e leva
o ser homem pra viver sempre mar.

15 junho 2008

Mensagem 065 - Os Cinco Sentidos

Os Cinco Sentidos

Luciano Menezes –

Todo dia ela faz diferente
tem dia que senta e reclama
num outro se chega e me chama
às vezes é um tal de falar
sem me deixar escutar

Todo dia ela faz diferente
tem dia que grita contente
ou então finge que sente
e depois vai feliz a cantar
e eu sem deixar de olhar

Todo dia ela faz diferente
inventa um cabelo pra trás
as unhas até pinta demais
me sinto então com coragem
o corpo é minha modelagem

Todo dia ela faz diferente
o perfume invade a mente
não é igual se escorrer ou suar
o cheiro que fica é pra sempre
e eu chego a me estontear

Todo dia ela faz diferente
avança tão sofregamente
que faz o desejo aumentar
todo dia ela faz diferente
e acostumou esse meu paladar.

01 junho 2008

Mensagem 064 - O Preço da Paz

O Preço da Paz.

Luciano Menezes

Mas que loucura,
aconteceu,
e,
sem saber eu
me envolvi
Não sei o que vivi,
nem sei porque
Mas hoje longe
fico a pensar
porque me enrosquei
tão sem querer
e deixei me dominar
sem resistir
Foi uma brisa,
que me levou a bailar,
a me divertir,
pensando
que nada iria machucar
Mas me soltei,
saí bem leve
e ainda estou chorando
por descobrir
a alegria de viver cantando,
sonhando
e andando sem parar,
só olhando a fila passar
E não vou mais me envolver,
mesmo até,
se eu quiser
Não vou deixar que isso ocorra
que a vida morra
pois o que
eu
quero
é viver em paz.