28 janeiro 2009

Mensagem 080 - Eu tenho medo

Eu tenho medo

Luciano Menezes 28/jan/2009 18:11

Eu tenho medo
quando o dia está nublado
tenho um medo tão danado
quando vai anoitecer

Eu tenho medo
quando a brisa sopra forte
faço reza penso a sorte
em mim está a se encolher

Eu tenho medo
quando me perco na vida
pois já a tenho tão sofrida
e ela está a se escorrer

Eu tenho medo
de sentir um amor danado
pois não estou acostumado
a esperar e acontecer

Eu tenho medo
do arrepio envolvente
que quando chega na gente
e pra fazer desfalecer

Eu tenho medo
quando chega lentamente
a alegria no presente
é só pra gente se aquecer

Eu tenho medo
pois num passado recente
a alegria envolvente
foi embora sem dizer.

27 janeiro 2009

Mensagem 079 - Fim da Kuarup Discos

Bom dia

Como sempre gostei e gosto muito de música, de vez em quando, visito as páginas virtuais de gravadoras e para minha surpresa, mais uma gravadora brasileira se vai Kuarup Discos
.

abaixo a notícia no sítio (http://www.kuarup.com.br/br/) da gravadora.

"Depois de 31 anos dedicados à melhor música brasileira, a gravadora independente
carioca Kuarup Discos decidiu encerrar suas atividades nesta virada de ano.

Ao longo dos últimos anos, as vendas de produtos físicos sofreram queda vertiginosa,
nem de longe compensada pelas vendas por download.
Entendemos que a crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, inteiramente calcado na produção e comercialização de música de qualidade.

Agradecemos aos nossos amigos, funcionários, representantes, clientes e fornecedores, e sobretudo aos nossos artistas, que continuarão a carregar a bandeira desta música brasileira que ajudamos a divulgar durante todos estes anos.

Kuarup Produções Ltda/ Kuarup Discos "

A lamentar o fim de uma gravadora brasileira, que nunca impôs um padrão musical na mídia mas se preocupou em divulgar boas músicas brasileiras.

Com certeza veremos em breve alguém lançar um selo com a sua discografia ou algumas das pérolas que foram colocadas na roda, e aí durante algum tempo alguém lucrará mais com um trabalho bem desenvolvido e que acabou porque se esgotou enquanto modelo comercial.

Um dos modelos mais transgressores e abusivos do mercado mundial é o ligado a produção de música. Começa pela exploração dos artistas e termina quase sempre pela absorção do acervo por uma empresa multinacional não brasileira (não estou dizendo que é o caso da Kuarup) que a partir daí passa a impor um modelo de lucro rápido e sem levar, na maioria das vezes, em consideração o padrão de qualidade e manutenção de uma cultura brasileira, visa apenas o lucro, impõe modismos e destrói valores e artistas que em várias ocasiões depois serão reconhecidos.

Ainda bem que a internet, que muitos tentam controlar (vide projeto de um dos inventores do mensalão Eduardo Azeredo no Congresso Nacional), permite hoje a divulgação de projetos culturais livres e independentes da indústria fonográfica.

O que, na minha opinião, leva um gravadora como a Kuarup a não continuar é o jogo desleal e impositor dos grandes da indústria fonográfica de dpmínio com o uso de jabás e etc.

A internet hoje desenvolve o trabalho que, os artistas compositores partiram para realizar a partir dos anos 1960-1970 - percebendo que a sua critivadade não retornava para êles o ganho que lhes desse até mesmo o sustento de sobrevivência, passaramm a ser cantores.

A internet hoje ao divulgar o trabalho intelectual de compositores e artistas, permite que as suas apresentações sejam o carro chefe para o retorno financeiro do seu trabalho pois o ganho com a venda dos discos sempre foi da indústria fonográfica que hoje sofre o revés com o aumento de apresentações e diminuição da vendagem.

Vários artistas tem hoje sua própria produtora e alguns possuem e tentam manter selos para o lançamento do seu trabalho fonográfico, que se baseiam mais na divulgação realizada pelas apresentações ao vivo, e pasmem contam com a disseminação feita pelos discos piratas que por terem seus preços condizentes com o poder de compra da população são vendidos em grande quantidades.

Quem imaginaria que hoje estaríamos comprando CD´s por R$ 9,90 (nove reais e noventa centavos em, lojas de departamentos) a cerca de 10(dez) ou 20 anos atrás. A pirataria forçou a redução do preço. Porque as gravadoras não aceitam a numeração dos discos? E qual será o verdadeiro prejuízo de todos com o não pagamento de impostos que os piratas sonegam? Para avaliarmos essa interferência deveríamos saber quanto é feito de sonegação de quem deveria pagar impostos.

Talvez essa seja uma das razões que o mercado tenta controlar a internet.

Luciano Menezes

26 janeiro 2009

Mensagem 078 - Tia Doca da Portela

A Portela se despede da Tia Doca

O ano de 2009 começa com força total e aumenta a ala de compositores e cantores da Escola de Samba eterna.

A Portela eterniza a Tia Doca.




Veja também as notícias dos jornais:

Jornal Estado de São Paulo - domingo, 25 de janeiro de 2009, 19:18 | Online
Morre Tia Doca, integrante da Velha Guarda da Portela
CLARISSA THOMÉ - Agencia Estado

RIO - A integrante da Velha Guarda da Portela Jilçária Cruz Costa, de 76 anos, conhecida como Tia Doca, morreu na tarde de hoje no Hospital do Iaserj, no Centro do Rio. Ela havia sofrido um acidente vascular cerebral no dia 17 e desde então estava internada. Na última quarta-feira, havia recebido alta do CTI, e seu quadro de saúde era estável. Hoje à tarde, sofreu um enfarte.

Tia Doca era uma das pastoras da Portela - vozes femininas do samba, que puxam enredos, cantam em rodas e também fazem shows. Ela é criadora de um dos mais importantes pagodes, o Terreirão da Tia Doca, em Madureira, na zona norte, onde Zeca Pagodinho descobriu, aos 17 anos, sua vocação. O repertório da tradicional roda de samba virou CD em 2000. Dudu Nobre também frequentou o pagode desde os cinco anos.

Tia Doca foi tecelã, empregada doméstica e chegou a vender sopa para se sustentar. Gravou com Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Marisa Monte, que produziu o documentário "O Mistério do Samba", ano passado, com Tia Doca como uma das personagens.

Entrou para a Velha Guarda da Portela em 1970 - com o grupo, viveu tristezas, como em 2005, quando a escola de samba desfilou com alas inchadas, e a Velha Guarda ficou de fora do desfile para evitar que a apresentação tivesse o tempo estourado. Mas também alegrias, como as apresentações na Itália, França e Estados Unidos.

Tia Doca tinha três filhos. Seu corpo será velado a partir das 7 horas de amanhã na quadra da Portela, em Madureira. O enterro será às 16 horas no Cemitério de Irajá.



Jornal O Globo - OBITUÁRIO - Página 12

Tia Doca da Portela, aos 76 anos


Com uma vida dedicada ao samba, Jilçária Cruz Costa, conhecida como Tia Doca, foi destaque da Portela e presidente de ala por três anos, além de pastorada Velha Guarda da azul e branco.
Mas ela se tornou conhecida por conta das animadas rodas de samba, o Pagode da Tia Doca, que aconteciam há 34 anos, sempre no quintal de sua casa, atualmente em Madureira.
Tia Doca é compôs o partidoalto “Temporal”, gravado com Monarco, e o samba “Orgulho Negro”, em parceria com o filho Jadilson Costa e gravado por Jovelina Pérola Negra. No cinema, ela participou do documentário “O mistério do samba”, produzido pela cantora Marisa Monte no ano passado.
Vítima de infarto, Tia Doca da Portela morreu, na tarde de ontem, aos 76 anos, no Hospital do Iaserj, no Centro. Ela tinha sido internada no Hospital Carlos Chagas, em Marechal Hermes, no último dia 17, após sofrer um derrame, mas foi transferida para o Iaserj no dia seguinte. Na quarta-feira, no entanto, ela recebeu alta da CTI e seu quadro de saúde era estável.
O corpo de Tia Doca será velado hoje, a partir das 7h, na quadra da Portela, na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. O sepultamento será às 16h no Cemitério de Irajá.


RIO DE JANEIRO - [ 25/01 ]
Morre Tia Doca, integrante da Velha Guarda da Portela
Jornal Cruzeiro Sul On Line ( http://www.cruzeirodosul.inf.br/materia.phl?editoria=42&id=155767 )

A integrante da Velha Guarda da Portela Jilçária Cruz Costa, de 76 anos, conhecida como Tia Doca, morreu na tarde deste domingo no Hospital do Iaserj, no Centro do Rio. Ela havia sofrido um acidente vascular cerebral no dia 17 e desde então estava internada. Na última quarta-feira, havia recebido alta do CTI, e seu quadro de saúde era estável. Hoje à tarde, sofreu um enfarte.
Tia Doca era uma das pastoras da Portela - vozes femininas do samba, que puxam enredos, cantam em rodas e também fazem shows. Ela é criadora de um dos mais importantes pagodes, o Terreirão da Tia Doca, em Madureira, na zona norte, onde Zeca Pagodinho descobriu, aos 17 anos, sua vocação. O repertório da tradicional roda de samba virou CD em 2000. Dudu Nobre também frequentou o pagode desde os cinco anos.
Tia Doca foi tecelã, empregada doméstica e chegou a vender sopa para se sustentar. Gravou com Beth Carvalho, Zeca Pagodinho e Marisa Monte, que produziu o documentário "O Mistério do Samba", ano passado, com Tia Doca como uma das personagens.
Entrou para a Velha Guarda da Portela em 1970 - com o grupo, viveu tristezas, como em 2005, quando a escola de samba desfilou com alas inchadas, e a Velha Guarda ficou de fora do desfile para evitar que a apresentação tivesse o tempo estourado. Mas também alegrias, como as apresentações na Itália, França e Estados Unidos. Tia Doca tinha três filhos.

25 janeiro 2009

Mensagem 077 - Edith do Prato

Uma das coisas que mais gosto é música, seja do tipo que for.
Algum tempo conheci o som de Edith do Prato que foi apresentada para os brasileiros no disco Araçá Azul do Caetano Veloso, que eu considero o melhor disco do Caetano Veloso:

"Vou me embora do sertão ou viola meu bem viola
que eu aqui não me dou bem ou viola meu bem viola
sou empregado da Leste sou maquinista do trem
vou me embora pro sertão que eu aqui não me dou bem
ou viola meu bem viola ou viola meu bem viola..."


espero que a memória não tenha me traído.

Esse som sempre ronda meu espírito, não sei se por lembrar do gosto do araçá ou se por ser azul.

O que tenho certeza é que a batida da faca no prato ecoa e me acompanha há muito tempo.

Dia 10 de janeiro de 2009 li no Jornal O Globo na seção de obituário:

Dona Edith do Prato, aos 94 anos
Luciano da Matta/A Tarde



"Toda a vida fui louca por samba, fugia para espiar o samba. Eu ficava raspando uma cuia de queijo, mas não acertava nada. Um dia, corn uma faca e um prato de doce, peguei o ritmo. Fiquei afamada por isso e, todo caruru, festa de aniversário, me chamavam para tocar, mas ninguém me ensinou". 0 começo da trajetória musical de Edith Oliveira Nogueira, contada por ela mesma no DVD "Dona Edith do Prato & Vozes da Purificação”, é tão singelo e autêntico quanto sua arte, admirada por nomes importantes da MPB.
Pela habilidade em extrair sons bem cadenciados do atrito da faca com o prato Edith surgiu no cenário da música brasileira pelas mãos do afilhado Caetano Veloso, ha três décadas, no album "Araça azul". Ali, ainda como Edith Oliveira, participou das faixas "Viola, meu bem" e "Sugar cane fields forever". Somente aos 86 anos teve a chance de gravar o primeiro disco, com sambas-de-coda, pontos de terreiro e temas de domínio público.
Nascida em Santo Amaro da Purificação, tinha vínculos estreitos corn a família Veloso. Ela engravidou na mesma época da amiga Canô por causa de uma forte gripe da matriarca dos Veloso, foi chamada para amamentar o então recém-nascido Caetano. Além disso, Nicinha, irmã legítima de Edith, foi criada como filha por Canô. Edith foi internada as pressas no dia 20 de dezembro, depois de sofrer um AVC. Ela morreu quinta-feira no Hospital Português, em Salvador, aos 94 anos.

Ainda bem que posso ouvir sua voz e rítmo no CD que deixou de lembrança.

Leia mais : Caetano Veloso e Folha On Line

23 janeiro 2009

Mensagem 076 - Olhando pra frente


(clique na imagem para ver tamanho real)

Olhando pra frente.

Luciano Menezes

E se eu olhasse pra trás
e visse um corpo com a cabeça baixa
E se eu olhasse pra trás
e avistasse alguém desesperado
E se eu olhasse pra trás
e enxergasse um rio de lágrimas
E se eu olhasse pra trás
não mais teria esperanças
coragem
correr riscos nunca mais

Como ficaria a vida
sem ter futuro
e o presente
afinal a vida segue em frente.

12 janeiro 2009

Mensagem 075 - Santa Lavradio

A Rua do Lavradio - Rio de Janeiro-Brasil na Lapa, em cada primeiro sábado do mês, deixa exposto vários personagens. Alguns vivos, outros inanimados.
A foto abaixo mostra um chorando.


clique na foto para ver no tamanho real

02 janeiro 2009

Mensagem 074 - Os sonhos

A única forma que existe para acabar com os sonhos é você dormir


02-jan-2009
Luciano Menezes

26 dezembro 2008

Mensagem 073 - Não me deixe mais

Não me deixe mais

Luciano Menezes

Não me deixe mais pois serei feliz
e você não quer nada mais
do que me amargurar
não me deixe mais pois eu poderei
me acostumar a ficar sem você
e aí então o seu psique não vai agüentar
e o meu fisic-du-rolle vai desaparecer
pois só você faz ele ao acabar reaparecer

não me deixe mais pois se eu gostar
não vou mais voltar e nem mais deixar
a porta se abrir e você entrar e vir reclamar
que eu não lhe vi, que não lhe falei,
que não lhe busquei, que não lhe quero mais
não me deixe mais pois posso descobrir
que sou mais feliz sem o seu estar

não me deixe mais pois será o fim
não mais haverá a repetição
a cena final fará o pano fechar
e a platéia toda irá se levantar
não vai aplaudir nem irá vaiar
todos compreenderão que tudo acabou
e nunca mais será reapresentada
não ficou famosa não serviu pra nada
apenas nós ouvimos e sentimos
tudo terminou foi nosso final
sem uma lamúria sem o som de glória
sem lamentação sem bater tambor
sem tocar clarim sem o sino tocar
sem música de fundo tudo se acabou

24 dezembro 2008

Mensagem 072 - Foi a noite

Foi a noite

Luciano Menezes

Ontem a noite eu bebi eu sei
Mas não me esqueci do que aconteceu
Foi tão tarde e ainda lembro bem
A bebida acabou o sonho se fez
e você como um pesadelo desapareceu

Acordei e não esqueci que lhe vi
Só não sei como foi que eu lhe perdi
E ficou tão gravada em mim
O seu vulto, uma sombra, um olhar vulgar
e um copo vazio no lugar e no bar

Ilusão que eu bebi talvez e nem mais
me encherá de esperança de tornar lhe ver
como no copo você também se evaporou
E agora eu não tenho nem mais o sabor
nem recordo mais do que aconteceu

15 dezembro 2008

Mensagem 071 - Solidão

Solidão

Luciano Menezes

A solidão me pega
quando eu fico fraco
a solidão me encontra
quando eu não acho
razão pra ser feliz
mesmo na multidão.

a solidão me ronda
a solidão me afunda
a solidão é quando
me perco no tempo
e o tempo não para
pra eu me rever
e o tempo só corre
pra eu me perder.

solidão.

11 dezembro 2008

Mensagem 070 - Os três pequeninos

Os três pequeninos

Luciano Menezes
para Maíra, Marat e Marcos Andre(Zé)

sonho com a solidão e me basto
mas quando três pequeninos aparecem
sinto que já não sou o mesmo

já não são tão pequenos
e me ensinam o que e' a vida
me devolvem a alegria perdida
e me perco em devaneios ermos

da mesma forma que vieram se vão
e eu fico ali parado vendo a sombra
da felicidade se ir sem deixar rastro

03 dezembro 2008

Mensagem 069 - O Tempo

O Tempo

Luciano Menezes 03/12/2008

Um dia estava cansado
e desliguei o relógio
santo dia
a partir daí
não mais perdi a hora
nem cheguei atrasado
e nunca
nunca mais
me faltou tempo.

O tempo é escravo da razão

A vida começa
quando acordamos
e apenas deixamos
que o tempo
siga o seu percurso
percorra o seu caminho
tranqüilo sem pressão
apenas passando
sem registro
sem delongas
sem deixar rastros

O tempo nunca acaba
e nem começa
Não muda o lugar
não enxerga o futuro
nem o passado.

26 novembro 2008

Mensagem 068 -Ser Amargo

Hoje dia 26/nov/2008, em uma entrevista o escritor Saramago declarou:

- Não sou pessimista o mundo é que é péssimo.

Em homenagem a Saramago segue a poesia abaixo:



Ser amargo

para José Saramago
Luciano Menezes 26/novembro/2008

Sara MAGO
Ser amargo
mas o mundo
não lhe deixa
em paz.

21 setembro 2008

Mensagem 067 - Expiação

Expiação

Luciano Menezes

Senti
dor no peito que coisa rara
me cortava que nem navalha
e não tem nem explicação

Pensei
que a saudade, essa, não tem idade
das lembranças que hoje guardo
eu não lembro mais nada não

Sorri
Tou chegando a uma nova idade
como se fosse mudar de cidade
tudo que vejo é alucinação

Chorei
mas chorei foi de felicidade
pois o pranto chorado com sagacidade
não é pranto é expiação

E assim
vou voltando pra uma nova vida
pois aquela, aquela minha antiga
não tem jeito e não quero mais não

22 junho 2008

Mensagem 066 - Pescaria

Pescaria

Luciano Menezes

A voz que eu escuto não é minha
vem do fundo do mar e não é sonho
é um sibilo cantado e tão tristonho
que me deixa enfadado no caminho

Eu procuro seguir o seu zumbido
como se fosse mavioso esse cantar
reproduzo esses sons que me encantam
se enroscando nessa águas de além mar

Não é canto de sereia vem no vento
que alisa as pedras que deflora o ar
e se esvaie em pequenos sangramentos
enrugando e o sal a lhe talhar

Enrugada a pedra ali vê a alvorada
e aquecida pelo sol chama os incautos
que buscando calmaria e alimento
ali jogam seus anzóis contra o vento
e arpoam peixes mansos pro manjar

Como dádiva presume ter um preço
a quimera é trocada sem piscar
num lampejo uma onda envolve e leva
o ser homem pra viver sempre mar.

15 junho 2008

Mensagem 065 - Os Cinco Sentidos

Os Cinco Sentidos

Luciano Menezes –

Todo dia ela faz diferente
tem dia que senta e reclama
num outro se chega e me chama
às vezes é um tal de falar
sem me deixar escutar

Todo dia ela faz diferente
tem dia que grita contente
ou então finge que sente
e depois vai feliz a cantar
e eu sem deixar de olhar

Todo dia ela faz diferente
inventa um cabelo pra trás
as unhas até pinta demais
me sinto então com coragem
o corpo é minha modelagem

Todo dia ela faz diferente
o perfume invade a mente
não é igual se escorrer ou suar
o cheiro que fica é pra sempre
e eu chego a me estontear

Todo dia ela faz diferente
avança tão sofregamente
que faz o desejo aumentar
todo dia ela faz diferente
e acostumou esse meu paladar.

01 junho 2008

Mensagem 064 - O Preço da Paz

O Preço da Paz.

Luciano Menezes

Mas que loucura,
aconteceu,
e,
sem saber eu
me envolvi
Não sei o que vivi,
nem sei porque
Mas hoje longe
fico a pensar
porque me enrosquei
tão sem querer
e deixei me dominar
sem resistir
Foi uma brisa,
que me levou a bailar,
a me divertir,
pensando
que nada iria machucar
Mas me soltei,
saí bem leve
e ainda estou chorando
por descobrir
a alegria de viver cantando,
sonhando
e andando sem parar,
só olhando a fila passar
E não vou mais me envolver,
mesmo até,
se eu quiser
Não vou deixar que isso ocorra
que a vida morra
pois o que
eu
quero
é viver em paz.

14 maio 2008

Mensagem 063 - A vida em três atos

A vida em três atos

Luciano Menezes

CENA 1
o toque então se deu
três vezes repetiu
a luz se apagou
e a cena no escuro
aconteceu.

CENA 2
a luz se acendeu
num canto há um bar
no outro encontra eu
e um personagem
pela cena a caminhar

CENA 3
quem me inventou fui eu
quem caminhou não sei
e o pano se fechou
e ninguém entendeu
que a história enfim
continuou.

20 fevereiro 2008

mensagem 062 - A imprensa brasileira e as informações erradas


Abaixo as manchetes dos principais jornais do Brasil no dia 20/fevereiro/2008, alguns foram mais sutis, de onde surgiu a notícia da renúncia?

Confirmem e leiam a notícia real:
O Globo – Rio de Janeiro
Saída de Fidel abre espaço para transição em Cuba

O Estado de São Paulo – São Paulo
Fidel Castro renuncia após 49 anos de poder em Cuba

Folha de São Paulo – São Paulo
Fidel renuncia após 49 anos

Estado de Minas – Minas Gerais
Fidel sai de cena

Gazeta do Povo – Paraná
Troca de comando

A Tarde – Bahia
Fidel sai de Cena

Zero Hora
A renúncia de Fidel

Diário de Pernambuco
Vencido pelo tempo


um lider é aquele que conduz o seu povo a ocupar um lugar definitivo na história – esse é Fidel Alejandro Castro Ruz.

Abaixo a informação real:
Fidel Alejandro Castro Ruz (Birán, Holguín, 13 de Agosto de 1926) é o primeiro-secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba e presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros (presidente da República) de Cuba, a qual governa desde 1959 como chefe de governo e de 1976 como chefe de estado.
Em 19 de fevereiro de 2008, Castro anunciou no jornal do partido comunista Granma que não se recandidataria ao cargo de presidente de Cuba, cinco dias antes do seu mandato terminar.

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http://www.granma.cu/portugues/index.html



MENSAGEM DO PRESIDENTE CUBANO
Desejo apenas combater como
um soldado das idéias
• Não aspirarei nem aceitarei o cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe
Queridos compatriotas:
• PROMETI-LHES na sexta-feira passada, 15 de fevereiro, que na próxima reflexão trataria de um tema interessante para muitos compatriotas. Esta adquire, desta vez, forma de mensagem.
É hora de cadidatar e eleger o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário.
Ocupei o honroso cargo de presidente ao longo de muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976 foi aprovada a Constituição Socialista por voto livre, direto e secreto de mais de 95% do cidadãos com direito ao voto. A primeira Assembléia Nacional foi constituída em 2 de dezembro desse ano e elegeu o Conselho de Estado e sua presidência. Antes ocupei o cargo de primeiro-ministro durante quase 18 anos. Sempre tive as prerrogativas necessárias para implementar a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo.
Conhecendo meu precário estado de saúde, muitas pessoas no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado em 31 de julho de 2006, que passei ao primeiro-vice-presidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. O mesmo Raúl, que, além do mais, ocupa o cargo de ministro das Forças Armadas Revolucionárias (FAR) por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do Partido e do Estado, se recusaram a que me afastasse do exercício do cargo, apesar de meu estado precário de saúde.
Minha posição era incômoda face a um adversário que fez todo o possível para se desfazer de mim e não me agradava nada fazer sua vontade.
Mais em diante, pude conseguir novamente o domínio pleno de minha mente e a possibilidade de ler e meditar muito, ao me ver obrigado ao repouso. Acompanhavam-me as forças físicas para escrever durante muitas horas, que alternava com a reabilitação e os programas pertinentes de recuperação. O elementar senso-comum me indicacava que essa atividade estava a meu alcance. De outro lado, sempre me preocupou, ao falar em minha saúde, evitar ilusões, que caso houver um desenlace adverso, trariam notícias traumáticas a nosso povo em meio à batalha. Prepará-lo psicológica e politicamente para minha ausência era meu primeiro dever depois de tantos anos de luta. Sempre salientei que se tratava de uma recuperação "não isenta de riscos".
Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último alento. É isso que posso oferecer.
Comunico a meus queridos compatriotas, que, para minha honra, me elegeram há uns dias membro do Parlamento, em cujo seio deverão ser tomados acordos importantes para o destino de nossa Revolução, que não aspirarei nem aceitarei — repito — não aspirarei nem aceitarei o cargo de presidente do Conselho de Estado e de comandante-em-chefe.
Em breves cartas encaminhadas a Randy Alonso, diretor do programa Mesa-Redonda, da Televisão Nacional, que a pedido meu, foram divulgadas, alguns elementos desta mensagem que hoje redijo foram incluídos, e nem sequer o destinatário das missivas sabia de meu propósito. Tinha confiança em Randy porque o conheci bem quando era estudante de jornalismo e me reunia quase todas as semanas com os representantes principais dos estudantes universitários, o qual era já conhecido no interior do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde residiam. Hoje todo o país é uma imensa Universidade.
Eis alguns parágrafos escolhidos da carta endereçada a Randy, em 17 de dezembro de 2007:
"Minha mais profunda convicção é que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana, que possui uma média de instrução de 12ª série, quase meio milhão de universitários e a possibilidade real de estudo para seus cidadãos sem discriminação alguma, precisam de mais variantes de resposta para cada problema específico que aquelas contidas num tabuleiro de xadrez. Não se pode ignorar nenhum detalhe, e não se trata de um caminho fácil, se a inteligência do ser humano numa sociedade revolucionária vai prevalecer sobre seus instintos.
"Meu dever elementar não é aferrar-me a cargos, e ainda menos obstruir a posse de pessoas mais jovens, mas transmitir experiências e idéias, cujo modesto valor provém do tempo excepcional que me coube viver.
"Penso, como Niemeyer, que é preciso ser conseqüente até o fim."
Carta de 8 de janeiro de 2008:
"...Sou partidário decidido do voto unido (um princípio que preserva o mérito ignorado). Foi isso que nos permitiu evitar as tendências para copiar aquilo que vinha dos países do antigo bloco socialista, entre elas, o retrato de um candidato único, tão solitário quanto tão solidário a Cuba. Respeito muito aquela primeira tentativa de construir o socialistamo, graças ao qual conseguimos ir para frente pelo caminho escolhido."
"Não esqueço que toda a glória do mundo cabe num grão de milho", enfatizava naquela carta.
Por conseguinte, trairia minha consciência se ocupasse um cargo para o qual se precise de mobilidade e de entrega total, e não tenho condições físicas para isso. Explico-o sem dramatismo.
Felizmente, o nosso processo ainda dispõe de dirigentes da velha guarda, além de outros que eram muito novos quando da primeira etapa da Revolução. Outros, quase garotos, se uniram aos combatentes das montanhas e depois, com seu heroísmo e suas missões internacionalistas, encheram de glória o país. Possuem a autoridade e a experiência para garantir a sucessão. Da mesma maneira, o nosso processo conta com a geração que aprendeu conosco os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução.
O caminho sempre será difícil e precisará do esforço inteligente de todos nós. Desconfio dos caminhos aparentemente fáceis da apologia, ou da autoflagelação como antítese. Devemos preparar-nos sempre para o pior. O fato de sermos tão prudentes no sucesso quanto firmes na adversidade é um princípio que não devemos esquecer. O adversário a derrotarmos é bem forte, mas, durante meio século, nunca lhe permitimos que passassem as raias.
Não me despeço de vocês. Apenas desejo combater como um soldado das idéias. Continuarei escrevendo sob o título "Reflexões do presidente Fidel". Será mais uma arma do arsenal com que poderão contar. Talvez minha voz seja escutada. Serei cuidadoso.
Obrigado.

Fidel Castro Ruz
18 de fevereiro de 2008
17h35

01 fevereiro 2008

Mensagem 061 - Esqueça

Esqueça

Luciano Menezes

Quando você for embora
leve tudo que é seu,
não esqueça nada,
mas,
deixe o meu coração
e minha alma.